Volta às aulas
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Criando meninos
10 de março de 2016

Ainda não sei quem você é – talvez você seja a mamãe ou o papai, a vovó ou o titio. Mas daqui de onde espero, você é o ser que tomou para si a responsabilidade e a coragem de entregar a mim essa criança que você traz pela mão. Que alegria e que aflição, hein?

Talvez seja a primeira vez que essa criança vai para a escola. Talvez ele tenha estudado aqui mesmo, no ano passado. Mas isso não importa, pois as expectativas são as mesmas, e grandes! Será que vai dar tudo certo? Será que meu pequeno vai gostar da turma? E da professora, vai gostar? Estará seguro? Vai se sentir confortável? Dará conta dos desafios?

Por um momento, penso a quem pertencem essas indagações – aos pais, às crianças ou a mim mesma, a professora que espera essa chegada. Pois mesmo com anos de experiência e muito amor e dedicação pelo que fazemos, a maioria de nós também tem uma certa ansiedade a cada início de ano, maior ou menor conforme a personalidade de cada uma. Isso acontece porque sabemos que, em cada criança que nos chega, há uma caixinha de surpresa sendo posta bem na nossa frente. Cada uma vem com seu tesouro particular e desconhecido para nós – seu gosto, seu jeito, suas vontades e capacidades. Suas dificuldades e seus conflitos. Sua história. Sua fragilidade e sua força. E seu futuro.

Você, pessoa preocupada que nos traz pela mão essa caixinha preciosa, acredite: nós realmente queremos fazer tudo dar certo. Desejamos do fundo do coração que essa criança que nos chega agora se sinta segura, confortável e feliz. E assim, aprenda muito! Trabalhamos a cada minuto pensando em como desafiá-la sem desanimá-la. E em como transformá-la para melhor, sem deixar que ela perca o que tem de mais bonito: quem ela é.

A você, que nos traz pela mãozinha esse bem tão querido, saiba que todo esforço será feito para que esse menino ou essa menina cresça, em todos os sentidos. Se esse caminho vai ser fácil? Você já sabe que não. Do seu próprio crescimento você deve se lembrar de tanta coisa, boa e ruim. E agora que você traz até nós essa criança, você precisa recordar daquele bumbum fofo de fralda segurando a beirada do móvel e querendo alcançar o enfeite na prateleira. De repente, ploft, o susto de ir ao chão. Logo veio o choro. E a risada do papai ou o socorro da vovó. Mas o bumbum se levantou, não foi mesmo? E o tal enfeite que ficasse esperto, senão já era…

Você que vai trazer para mim seu filho ou sua filha pela mão, saiba que existem dicas ótimas para esse comecinho. Mas a dica mais importante que posso te dar nessa cartinha é: confie! Confie em nós, pois estamos aqui para receber sua família. Mas pode manter seu olho aberto, viu? Faz parte e até nos ajuda. Também confie em você, pois tenho certeza de que você está fazendo o seu melhor. E, mais que tudo, confie em sua criança. Você até já sabe, mas na aflição de soltar aquela mãozinha, talvez tenha se esquecido: ele tem o que é preciso para crescer!

Depois que a porta da escola se fechar, seu coração vai apertar ainda mais, eu sei. Não se acanhe de me procurar, se precisar. Eu também sei o que é isso – ao final do ano, quando aqueles pequeninos estiverem partindo para outras turmas e outras descobertas, o meu também irá se apertar. Que surpresas a vida ainda lhes trará, que dificuldades enfrentarão?  Nessas horas de despedida, eu agradeço pela chance que você me deu de ajudar, um pouquinho que tenha sido, a receber essa criança como ela é e a prepará-la para tudo que ela ainda pode ser.

Obrigada a você, que traz pela mão essa criança de olhos brilhantes. Ao recebê-la, nossas mãos adultas também se encontram. E é juntas que vamos atravessar mais essa jornada. Bem-vindos!

Dicas para a volta às aulas

O período mais difícil de adaptação costuma passar rápido, no máximo uma semana. Se durar mais do que isso, converse com a direção e a professora.

• Envolva os pequenos nos preparativos, como a escolha da mochila, da lancheira e do material escolar. O uniforme novo ou um sapatinho especial também devem ser bem festejados!

• Algumas escolas permitem que os pais acompanhem seus filhos nos primeiros dias, outras não. Procure saber antes.

• Responda as dúvidas da criança, de maneira simples e sem mentir.

• Visite a escola com a criança. Familiaridade com o ambiente ajuda.

• O choro ao chegar costuma passar logo e a professora e auxiliares estão ali para amparar a criança. Na maioria das vezes, ela logo se distrai com alguma atividade proposta.

• Não falhe no horário de levar e buscar os pequenos na escola. É fundamental para a rotina e para a segurança emocional da criança.

• Estimule os pequenos a falarem do dia deles na escola falando do seu também. E aproveite toda oportunidade para incentivar a “ideia” de aprendizado, seu e das crianças.