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Educar | 10 anos
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Texto: Auxiliadora Mesquita | Entrevista: Priscilla Koerich | Fotos: Divulgação

Durante 10 anos, ela foi a Super Nanny brasileira, no programa de TV que ajudou mais de 150 famílias a lidar com as dificuldades de ser mãe e pai. Mas muito antes disso, essa argentina radicada há anos no Brasil já vinha educando as crianças do nosso país. 

Ela continua ajudando por meio de livros e palestras por todo o país. Ela é Cris Poli, que longe do tailleur sério da Super Nanny, é puro acolhimento e simpatia. E conversou com a EDUCAR sobre a importância da família na educação dos pequenos.

O sotaque ainda está lá, bem de leve, e dá um charme todo especial a essa senhora amável e disposta. O sotaque e a gentileza vêm da mesma fonte: uma infância tranquila e alegre na sua Argentina natal. “Minha infância foi bem família. Eu, meu irmão, minha mãe e meu pai”, recorda Cris. “E, apesar de meu pai ter ficado doente muito jovem (ele teve Parkinson), a lembrança que eu tenho é de muita união, de viajar junto, de estarmos sempre com meus primos e tios”.

Não é à toa que ela acredita ser esse tempo em família um fator fundamental para o crescimento harmonioso dos filhos. “Eu acho que são essas marcas que ficam para a vida toda. Eu me lembro de meus pais na praia, do meu pai contando histórias pra gente, nós sentados no colo dele, escutando rádio”, se diverte Cris. “Tenho lembranças boas, de muita união. Por isso é que eu insisto tanto na necessidade de os pais ficarem mais tempo com seus filhos, de se organizarem para isso. De se dedicarem mais aos filhos, porque são marcas que ficam, é a base”.

Seu trabalho na TV teve muito dessa marca. Em vários programas, Cris se dedicou a reestruturar as famílias de modo que passassem mais tempo junto, brincando, fazendo refeições e até conversando! Sua escolha para o programa foi justamente por essa sintonia entre a proposta dos produtores e o que ela já fazia, como mãe e como educadora. “Quando os produtores me acharam, eu já desenvolvia um trabalho parecido com o do programa Super Nanny em uma escola cristã e bilíngue que eu abri”, revela Cris. “Tudo se encaixou”.

Na época, Cris já estava com os filhos crescidos. Mas em sua casa, a educação das crianças também foi muito parecida com as coisas que aplicava no programa, principalmente pelos princípios morais. Aliás, os princípios morais continuam sendo muito importantes para nossa educadora e ela se preocupa com a formação do caráter de nossas crianças. “Hoje você tem informação, mas a verdadeira formação tem a ver com ser gentil, ser honesto, ser colaborador. E isso se aprende em casa, os pais têm que estar junto da criança”, explica Cris.

A melhor escola do mundo não será capaz de dar conta dessa formação de caráter. Por isso, Cris acredita que é preciso sempre uma parceria entre a escola e a família. “Família e escola precisam compartilhar os mesmos valores. E os pais têm que estar juntos, se preocupando e acompanhando a vida escolar do filho”, lembra Cris. E arremata:

Infelizmente, é uma realidade que muitos pais ainda “depositam” os filhos na escola. E cobram da escola a formação de caráter.


Livros da Cris Poli 

 

Hoje, já são 6 livros lançados. O primeiro foi Filhos Autônomos, Filhos Felizes, “um  best seller, está tudo lá, é chave”, assegura Cris. Outros se seguiram, incluindo um de “primeiros socorros”, o SOS dos Pais, com 500 perguntas e respostas; e o último lançamento, Atenção, tem gente influenciando seu filho, sobre o papel de outras pessoas e até da mídia na formação de nossas crianças e nossos adolescentes.

Além dos livros, ela continua compartilhando seu conhecimento por meio de palestras em todo o país. Seu ensinamento é simples: a criança precisa de amor e de limites. Mas esse também é o maior desafio das famílias. “A grande dificuldade na educação é o pai e a mãe conseguirem se equilibrar no momento da raiva, da bronca, do descontrole, do stress”, acredita Cris. “É difícil principalmente nas cidades grandes, pois os pais recebem toda uma carga e quando voltam para casa e precisam educar os filhos, que muitas vezes desobedecem, eles não têm a paciência, o equilíbrio para educar”.

Mas equilíbrio é tudo. Nossa eterna Super Nanny e educadora incansável, mãe dedicada e esposa de seu marido há 50 anos – “nos conhecemos quando eu tinha 8 anos e brincávamos muito juntos!”  tem certeza que é esse equilíbrio o segredo para a educação de nossas crianças.

“A criança precisa das duas coisas, que parece que são opostos, mas não são: ser firme, mas com amor.”

Jogo Rápido com Cris Poli 

 

– Todos os dias quando acordo…. eu agradeço a Deus pelo novo dia.

– Na hora de dormir… Também agradeço a Deus, um dia em paz, com segurança, junto com meu marido.

– Café da manhã feliz tem… meu marido (rs)

– Uma preocupação é… o futuro dessa geração, me preocupa porque tenho netos pequenos também.

– Uma alegria é… a família toda junta

– É melhor… perdoar do que ficar amargurado, tem a ver com amigos, família e não se afastar das pessoas.

Dicas da Super Nanny 

 

Quem manda na sua casa? A resposta certa, segundo a educadora Cris Poli, a Super Nanny, do programa do SBT, deve ser: “os pais”. E você precisa assumir a autoridade da educação dos seus filhos. Deve saber o que é melhor para ele e impor isso. Não deixe que os pequenos lhe dominem.

 

As crianças podem gritar, chorar, espernear, atirar objetos. Mas você não deve se assustar diante dessas atitudes e recuar. Se tomou uma decisão, continue firme nela. A cada passo que você recua, ele ganha um ponto na autoridade. Se não fizer isto, quando perceber, vai ser seu filho quem mandará na casa.

 

Não é a escola ou a babá ou a igreja que vai cuidar da formação dos seus filhos. Hoje alguns pais, por trabalharem fora, acham que podem terceirizar essa obrigação. Mas estão errados! Ninguém, além de você, tem a obrigação e o poder de formar o caráter do seu filho. Se ele andou aprontando, não adianta mudar de escola. Você é que tem de ensinar a ele o que é certo e errado.

 

Vivemos em uma sociedade com limites. E se você não ensinar isso para o seu filho desde pequeno, ele com certeza terá problemas para conviver com os amigos, professores e até familiares. Diga “não” a ele, por mais que ele chore, insista ou tente lhe chantagear. Afinal, ele vai ouvir muito “não” na vida e é bom já crescer acostumado.

 

Defina os horários das atividades das crianças. Assim, elas terão tempo para fazer tudo. Determine a hora de dormir, de brincar, ver TV e estudar. Não é para ser maníaco com horários, mas apenas organizar o dia para que seus filhos não deixem de fazer aquilo que você considera importante para a formação deles.

 

Invista uma parte do seu tempo para brincar com as crianças. Brincar não é perder tempo, mas sim um momento precioso para conhecer e educar seus filhos. Perder, dividir, esperar são algumas das coisas que você vai poder ensinar a eles enquanto conquista sua confiança e amizade.

 

Seus filhos são de uma nova geração e muita coisa mudou. Por isso é bom escutar o que eles têm a dizer. Ouça os argumentos das crianças e tente ser flexível, entender o lado delas. Isso ajuda a criar o diálogo e construir uma relação de confiança entre pais e filhos. Mas saiba sempre que a posição final é sua e se discorda do ponto de vista dos filhos, pode e deve impor sua palavra.

 

Nada de bater nos filhos! Isso não educa – assusta! Aprenda a falar com força para se impor aos seus filhos. Você pode colocá-los de castigo, sim, mas não pode machucar. Mandar para o quarto, tirar algo que ele gosta de fazer, tudo bem! Punir não é errado mas, agredir, sim.

 

Tudo bem que os pequenos devem começar a se preparar desde cedo para o mercado de trabalho. Mas eles não precisam ficar estressados ainda na infância. Não exagere na quantidade de cursos e atividades em que matricula seus filhos, lembre-se que brincar é também muito importante para o desenvolvimento deles.

 

Para ver seu filho feliz, você não precisa poupá-lo de todos os esforços e dar tudo o que ele quiser. Ensine-o a ter um pouco de autonomia e responsabilidade desde pequeno, para entender que precisa batalhar para conquistar algo. Faça com que ele guarde os brinquedos e as roupas. E a partir dos 6 anos, dê uma pequena mesada. Assim, ele vai aprender a dar valor para as coisas.