Trânsito
21 de outubro de 2016
Gabriela Kapim
20 de novembro de 2016

abre_clau Josh Wakely e o mundo animado de Beat Bugs

Com trilha sonora dos Beatles, série de animação “estoura” na Netflix e garante 2ª temporada (estreia prevista para 18 de novembro) com novas histórias e mensagens tão educativas quanto emocionantes. O australiano Josh Wakely, criador e responsável por esta produção, conversou com a Educar e contou um pouco sobre seu trabalho e os desafios pelos quais ele precisou passar pra fazer com que a produção virasse realidade.

No decorrer dos episódios da série de animação infantil Beat Bugs, podemos ouvir canções de John Lennon e Paul McCartney nas vozes de Eddie Vedder (Pearl Jam), Sia, Robbie Williams, Pink, Rod Stewart, Regina Spektor, entre outros artistas, que toparam apresentar suas próprias versões de músicas do quarteto britânico no show, as quais mergulham num contexto todo voltado para as aventuras de cinco insetos amigos e inseparáveis: Crick, Walter, Buzz, Kumi e Jay.

Já tão adorada por famílias em diversas partes do mundo, essa turminha aprende e ensina (e vice-versa), e mostra para a audiência que ser compreensivo, prestativo e amoroso vale realmente a pena. Ela nos faz acreditar (e acreditamos de verdade!) que o caminho a ser percorrido se torna muito melhor quando há amigos por perto. E que, já diziam os Beatles, amor é mesmo tudo de que mais precisamos.

Confira, a seguir, a entrevista exclusiva que fizemos com Josh Wakely, criador e responsável pela série.

Revista Educar – Nós somos grandes fãs dos Beatles e recomendamos sempre suas canções para os filhos dos nossos leitores – achamos que é uma das melhores maneiras de lhes ensinar a ter bom gosto para música. Existem motivos especiais que o levaram à escolha daquelas músicas para “Beat Bugs”?

Josh Wakely – Nas canções dos Beatles há não somente melodias geniais, mas também ensinamentos nas mensagens, como o poder da amizade (em “With a Little Help From My Friends”), o valor do amor (“All You Need is Love”) e inúmeras outras lições de vida. Por exemplo, “Hello Goodbye” e “Strawberry Fields Forever” estão cheias de grandes mensagens que servem para as crianças – e os adultos também.

Revista Educar – Beat Bugs tem sido “devorado” por nossa equipe – assistimos os episódios diversas vezes. O que podemos esperar da segunda temporada?

Josh Wakely – Acho que a segunda temporada fica ainda melhor. Temos muitos novos episódios como “Yellow Submarine” e “Across The Universe” – canções realmente incríveis. E conheceremos os personagens mais profundamente – eles se tornam ainda mais adoráveis, se metem em novas enrascadas e aprendem lições ainda mais importantes. Estou muito ansioso para mostrar ao mundo o que fizemos nesta nova temporada.

Revista Educar – Ouvimos dizer que você tem se sentido bastante à vontade atrás das câmeras e que ama filmes, bem como música – você se vê trabalhando com outra coisa? Em caso afirmativo, poderia estar relacionada com as crianças?

Josh Wakely – Eu tenho outra série de crianças baseada na música da Motown Records (gravadora americana de discos fundada em 1959), usando canções de lendas como Stevie Wonder, Smokey Robinson e Jackson 5. Temos episódios criados em torno de faixas como Master Blaster, Superstition e ABC, que acabam sendo grandes canções para as crianças. E temos alguns grandes cantores no projeto. Estou trabalhando também com músicas de Bob Dylan para uma série de drama adulto.    

Revista Educar – Sabemos que você tem trabalhado na “Beat Bugs” há alguns anos. Quanto tempo levou para convencer os investidores a fazer a série? E o que os levou a dizer sim?

Josh Wakely – Eu tive sorte de ter esbarrado em um bando de gente enérgica e bem sucedida que acredita na importância de trazer essas grandes canções e mensagens de uma forma realmente inovadora para as crianças. Tive que convencê-los que eu faria isso abrangendo o mundo.joshb 

Revista Educar – Parece que a maioria dos estúdios de animação gosta de fazer todo o trabalho de voz antes de começar a fazer a animação. Você e sua equipe deixaram a animação pronta e só depois entraram com as vozes?

Josh Wakely – Uau, essa é uma pergunta muito bem feita! Passamos muito tempo nos certificando de que as vozes estavam corretas. Então podíamos ouvir nosso personagem Buzz dizer palavras como “awe-shome” e Walter teria todo o coração e humanidade que ele tem. Mas nós projetamos os personagens antes do tempo (antes do elenco de voz) porque os tinha em minha cabeça por muito tempo. Foi um processo longo e nós trabalhamos muito para obter todos os elementos de que precisávamos. 

Revista Educar – É difícil fazer as expressões dos personagens?

Josh Wakely – Trazer a destreza e o detalhe das expressões “Beat Bugs” sinceramente era muito difícil. Foi preciso uma equipe de talentosos animadores, incluindo Pablo de la Torre, meu diretor de animação da América do Sul, e muito tempo para acertar. Mas uma vez que você tem disponível uma expressão em um rosto, você pode fazer todas as emoções que você deseja. 

Revista Educar – Apesar de crianças e adultos terem sensibilidades e gostos diferentes, você provavelmente criou a animação tentando agradar a ambos. Acha que conseguiu?

Josh Wakely – A intenção sempre foi fazer com que crianças e adultos apreciassem o show. Eu tenho um filho de 3 anos, então eu queria criar algo que pudesse apelar para as crianças, mas também ser apreciado pelos pais. Muitas vezes, como pai, tive que assistir uma coisa que achei chata ou arrogante, e também algo que passou longe da imaginação do meu filho. Portanto, a intenção de “Beat Bugs” era criar algo que funcionasse para a família. 

Revista Educar – Estamos curiosos pra saber o quanto da vida real e o quanto de imaginação foram parar na joshcsérie, porque as cenas são perfeitas, muito criativas e quase reais. 

Josh Wakely – Obrigado por um elogio tão adorável. Nunca sei exatamente quais ideias vêm da imaginação e o que vem da vida real – trata-se apenas de mim. Deixei minha imaginação assumir, mas obviamente há informação da vida real – coisas que eu vi, o que eu acho engraçado, o que me move. Mas, realmente, a série toda é proveniente da minha imaginação.

Revista Educar – Notamos que todos os episódios de “Beat Bugs” querem enviar uma linda mensagem – isso é bom e nos faz pensar que você é um homem muito sensível. Você gostaria de mandar uma mensagem carinhosa para os brasileiros?

Josh Wakely – Quando me mudei para Sydney, vivia no subúrbio de Manly Beach, onde havia muitos brasileiros. Eu sei que é uma cultura cheia de coração e de humanidade, e as pessoas têm uma grande vitalidade para a vida. Então agradeço muito que o espectáculo esteja sendo apreciado no Brasil!

Revista Educar – O que você gostaria de ver no Brasil? 

Josh Wakely – Eu sou surfista, então eu adoraria visitar algumas das suas praias extraordinárias. É um país que mal posso esperar para conhecer.

Cláudia Prates

Mãe do Bruno (7 anos) Estudante de Business Marketing – Correspondente da Educar em Toronto, Canadá.