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Leitura para bebês, sim!

Por Pricilla Kesley, do Todos Pela Educação

Sabemos que ler para as crianças é importante, mas e para os bebês? Também!

Antes mesmo de nascer, o bebê já está fazendo “leituras” do mundo: ele ouve a voz da mãe e já responde com movimentos ainda na barriga, por exemplo. Ao chegar ao mundo cheio de informações, o bebê passa a tentar entender os tempos de espera, a ausência, os sinais de voz, os gestos e os cuidados que recebe. Tudo isso (e muito mais) são, sim, atos de leitura.

Evélio Cabrejo-Parra, especialista em leitura na Primeira Infância, afirma que as crianças pequenas são músicos em estado puro, com uma audição extraordinária. Esse “super poder” impactará no desenvolvimento cognitivo e emocional/psíquico dos pequenos. Por isso, deve ser estimulado – e muito!

Vale reforçar que proporcionar literatura para os bebês não significa tentar alfabetizá-los. A leitura literária nessa etapa está ligada a um mergulho na linguagem que nos cerca: música, entonações, ritmos, cores, pausas, símbolos, etc. Trata-se de dar a eles material para pensarem sobre si mesmos e o mundo, criando significados mesmo antes de falarem.

O que você talvez não saiba, mas deveria:

• Entre o terceiro e o quinto mês de gestação o sistema auditivo do bebê se constitui e a voz da mãe começa a ser processada e chegar com uma ressonância particular. É possível ler para o bebê ainda na barriga!

• Os bebês podem “estragar” os livros? Os bebês mordem, tocam, babam, rasgam os livros porque essa é a maneira deles de testar cores, texturas, formatos – ou seja, informações. É preciso ensiná-los a apreciar as obras sem estragá-las e jamais limitar a leitura ou o contato físico com os livros apenas “quando eles estiverem prontos”. Quanto antes, melhor!

  Os bebês e as crianças não-alfabetizadas podem não saber ler de modo convencional (dominando um código), mas antes de entrarem na escola, eles já simulam comportamentos leitores que viram por aí. Tudo isso forma uma preciosa bagagem para quando a criança tiver de empregar suas próprias viagens solitárias no mundo do saber e da linguagem.

É nos primeiros anos de vida que o cérebro humano atinge seu pico de conexões cerebrais. Essas interligações representam a capacidade de aprendizagem e as pesquisas mostram que seu maior ou menor número depende não apenas de genética, como de estímulos de qualidade, que devem ocorrer na creche ou em casa. Ler é uma das maneiras de estimulá-lo.

• A leitura amplia o vínculo do cuidador (seja mãe, pai ou outro responsável) com o bebê, aprofundando assim o afeto essencial para o desenvolvimento infantil.

Bebetecas: isso mesmo, bibliotecas para bebês existem! Esses espaços são pensados para responder às necessidades de crianças entre 6 meses e 3 anos de vida, levando em consideração a importância do brincar e da socialização dos pequenos, além de seu conforto. Procure uma em sua cidade!

Mãos às obras

Formar um leitor capaz de navegar sozinho em busca do saber requer acompanhamento e incentivo desde bem cedo. Esse é o papel indispensável da família e dos educadores.