Bella Falconi
27 de julho de 2016
Casa de Acolhimento Semente Viva
1 de agosto de 2016

160701-familia_pop_rock-45

Ser papai é pop, mas dá trabalho!

Entrevista: Priscilla Koerich | Texto: Auxiliadora Mesquita | Fotos: Giselle Sauer Fotografia | Local: Associação Cultural Vila Flores – RS
O pai é pop, a mãe é rock. E essa família vai seguindo na música da vida, com harmonia e sintonizados uns com os outros. O pai é Marcos Piangers, repórter, produtor de conteúdo para rádio, TV e internet e autor de um dos maiores sucessos recentes do mercado editorial: o livro O Papai é Pop, em que Marcos registrou o que é ser um pai presente no dia-a-dia das crianças, Anita e Aurora, filhas dele com a jornalista Ana Emília.

É preciso muita disposição

160701-familia_pop_rock-1O sucesso do livro reflete não só o talento do autor, mas também um novo tipo de pai que está surgindo por aí – pais interessados em ficar mais próximos das crianças e mais envolvidos no cotidiano delas. Marcos avisa que, para ser esse novo pai, é preciso disposição: disposição para participar da vida de seus filhos, disposição para deixar o trabalho um pouco de lado, disposição para abrir mão de alguns prazeres próprios.

E por que um pai abriria mão dessas obrigações ou prazeres? Para ter tempo de conversar com seus filhos! Marcos acredita que um filho que conversa mais com o pai é um filho que vai crescer com um confidente. “E quando chegar a fase mais difícil da vida dele, ele vai ter uma pessoa para contar os segredos, pedir opinião, dicas, sugestões de como viver melhor. E você vai estar lá”, garante.

A boa disposição da nova geração pode não se concretizar se cada um ficar para seu lado, com seu celular ou computador ou videogame. O tempo vai passar e a distância só vai aumentar. É preciso então, além de disposição, um bocado de decisão. “Temos a chance de crescer junto com outro ser humano e de se transformar em um ser humano melhor”, lembra Marcos. “É uma missão, é uma chance que você não pode desperdiçar.”

Aprender a ser pai, aprender a ser homem

Aprender a ser um pai de verdade não é fácil. “Eu tive que ouvir muito a minha mãe, a minha mulher e as minhas filhas, exigindo a minha presença, minha atenção.”, confessa Marcos. “Eu aprendi a ser pai sendo.” Marcos cresceu sem a presença do pai e seu livro foi dedicado a todas as mães solteiras, que batalham na criação de seus filhos, como a própria mãe dele teve que fazer. Mas ele acha que isso também contribuiu para o surgimento do “pai pop” nele mesmo. “O mais importante foi que eu quebrei um ciclo. Crianças de pais que abandonaram costumam abandonar”, lembra Marcos. “Ao quebrar esse ciclo, eu estou ensinando para minha filha que ela pode e deve escolher um bom homem para ser o marido dela e para ser pai dos filhos dela”.

Ele lembra também da importância dessa mudança de valores na criação dos meninos. “É preciso conversar bastante com os meninos para que eles respeitem as meninas, para que eles respeitem as mulheres”, afirma Marcos. E vai direto num dos maiores problemas dos nossos dias: “A cultura do estupro, a cultura da agressão, está no nosso dia-a-dia. E ninguém pode mudar o mundo sem a presença de um bom pai, de uma boa educação.”

Espalhando a ideia

160701-familia_pop_rock-120Essa mudança na educação, Marcos quer ver espalhada por muitas famílias. Toda a renda de seus livros é revertida para ONGs de apoio à infância. E ele fala com carinho dessas iniciativas. “Eu vejo, nestas doações que temos feito na AACD, na Fundação Kinder e na Associação De Peito Aberto, o quanto é negligenciado a presença do pai. Geralmente é a mãe que acompanha”, diz Marcos. “Acho que, especialmente nas famílias mais pobres, a mãe é uma figura mais solitária na criação dos filhos.”

Constatar essa realidade triste não impede o otimismo em relação aos novos pais que estão surgindo por aí. “Eu espero, de verdade, que o meu livro seja um incentivo para que os pais se aproximem de suas crianças”, explica. “Eu quero acreditar que sim, que temos cada vez mais pais participativos, atenciosos, carinhosos.” O caminho é longo e a tarefa difícil. Mas é preciso coragem para começar. “O homem não sabe o que é ser pai, não sabemos na verdade o que nos espera”, reconhece. “Por isso é tão importante que o pai participe de todas as questões da criança”.

Mais Pai Pop, por favor!

E o que o Pai Pop está preparando para o futuro? “O tempo que passo com elas eu adoraria transformar em vídeos, no Youtube ou em documentários”, revela Marcos. E o novo trabalho como repórter do Encontro com Fátima Bernardes não muda sua vida de pai presente. “Sempre que as viagens são no máximo de 5 horas, eu levo as meninas comigo, nas palestras e nos lançamentos dos livros. E quando vou na Fátima, vou no bate-volta, o que faz parecer que é apenas um dia de trabalho…” ri, Marcos.
O importante é manter o foco na família. “Tenho buscado estar todos os dias perto das minhas filhas. E podem ter certeza de que, no momento que eu achar que essa equação está desequilibrada, vou corrigir para ficar sempre perto delas”, garante. “Elas são minha prioridade, sempre!”

Aviso aos pais de primeira viagem que…

Ter filhos é extremamente trabalhoso, incrivelmente complicado e por isso mesmo é maravilhoso, desde que você esteja lá participando.

Quando acordo penso…

Que bom que dormi com minhas filhas, que bom que elas estão aqui na minha cama

Toda noite acho que…

Minhas filhas estão crescendo rápido demais. Me dá uma insegurança de que isso tudo pode acabar, que elas vão ser adolescentes, adultas, que tudo isso pode acabar.

Domingo perfeito tem…

Andar de bicicleta, tomar sorvete e, se possível, nadar na piscina.

Aurora e Anita são…

O Sol da minha vida, o que me esquenta e me mantém vivo.

Com a Ana Emília me sinto…

Com a melhor companhia do mundo.

A melhor canção de ninar…

A canção que faz seu filho sorrir…