O primeiro dia de aula
2 de fevereiro de 2016
Segunda Gravidez
2 de abril de 2016

Texto: Bárbara Maglia | Psicóloga

     Meninas gostam de rosa e meninos de azul. Para elas bonecas; para eles, carrinhos. Romance, ficção científica. Ballet, judô. Princesas, heróis. Por muito tempo as infâncias se desenharam assim, cindidas. Elas para um lado, eles para outro. As meninas aqui, os meninos ali. O que colhemos como resultado foram gerações de adultos com dificuldade de gerir sua vida e suas relações amorosas por estarem fixados em papéis, muito bem delineados, mas completamente apartados da vida real. Colhemos relações de casal desequilibradas nas quais ambas as partes se sobrecarregam de “tarefas” e “dever ser” que nem sempre estão aliados aquilo que querem, gostam ou fazem bem. Temos presenciado – ainda bem! – um renascer de um feminismo de novas roupagens. Um movimento muito espontâneo de mulheres que se cuidam e cuidam do bem estar de umas às outras. Estamos vendo surgir uma geração de meninas superpoderosas, altivas e independentes! Coisa linda! Mas, escute, e os meninos? Será que estamos preparando nossos pequenos para acompanharem essas mudanças? Ou continuamos os criando para serem peças desencaixadas do quebra-cabeça?

Os tempos mudaram. As meninas mudaram. Vamos trabalhar com nossos meninos para que eles também sejam mais livres, mais espontâneos e autônomos? Vamos começar em casa?

     Trate seu menino da maneira como você quer que ele trate as pessoas. Respeite seus sentimentos e a sua sensibilidade. Acolha o choro, respeite os medos e não desmereça os desafios. Quanto mais respeitado e legitimado seu filho se sentir, mais fácil será para ele respeitar os outros. Não espere que ele entenda que as meninas – e meninos –  merecem respeito e que consentimento é importante se ele não teve esses valores vivenciados em sua criação. Empatia se aprende. Em casa

     Deixe que ele se expresse, por meio de brincadeiras e escolhas, da maneira que ele desejar. Respeite as escolhas de roupas, brinquedos, jogos, desenhos. Afinal de contas, o único risco que corremos com um menino que brinca de bonecas é que ele se torne um bom pai no futuro. Dispense o pitaco da vizinha, do Avô e do Padeiro. Crianças são crianças e a maneira que elas têm de compreender o mundo e os lugares – ou papéis –  que podem ocupar nele, é brincando! Portanto, deixem os meninos brincarem sossegados!

     Ensine seu menino a se cuidar. E cuidar de suas coisas. E cuidar de sua casa. E, principalmente, a cuidar dos outros. Envolva-o em pequenas tarefas domésticas para que ele entenda que o mundo não é mágico e que o meião de futebol não é auto-limpante.

Acredite: você não vai se arrepender!

     Agora, atenção, o mais importante, primordial e essencial: ame seu filho desvairadamente! É sendo amado que desenvolvemos as habilidades de relacionamento e conseguimos segurança para desempenhar o melhor de nós nas diversas situações que a vida impõe. O menino amado é o prenúncio de um homem seguro, autônomo, sensível, bem resolvido e, mais importante, feliz!