Igor Rickli e Aline Wirley
1 de julho de 2016
Bella Falconi
27 de julho de 2016

Texto: Auxiliadora Mesquita | Fotos: Gabriella Cameu Fotografia

O sono é fundamental para a saúde, o desenvolvimento e o bem-estar de bebês e crianças. Ele serve para descansar, regular e recuperar nosso organismo. Mas nem sempre é fácil para os pais. 

Durante os primeiros meses, o sono dos bebês é interrompido frequentemente pois a fome chega rápido em um estômago tão pequenino! E outros incômodos podem perturbar o soninho deles: cólicas, frio, fralda molhada… Daí que mamães e papais têm que se desdobrar numa constante vigília!

Depois que as crianças crescem, surgem outros problemas que atrapalham um sono tranquilo. Podem surgir medos, pesadelos, xixi na cama e até aquela vontade irresistível de ficar mais tempo acordado ou querer dormir pertinho dos pais. A verdade é que o sono, mesmo o de bebês e crianças, é sempre individual. Seu tempo de duração, a melhor forma de chegar até ele e as condições para que seja tranquilo e saudável vão de acordo com cada organismo e suas necessidades. Mas existem orientações gerais e dicas que facilitam a vida de papais e mamães e apontam para maneiras mais práticas de trazer esse soninho, tão bem-vindo e necessário.

Acabei de chegar, preciso dormir!

Recém-nascidos dormem muito, mas isso não significa que durmam longas horas seguidas. Pelo contrário: nas 18 horas que dormem por dia, costumam acordar a cada 3 ou 4 horas. A fome logo chega e o chorinho vai indicar que está na hora da próxima mamada. Bebês também não fazem a menor ideia que chegaram a um mundo com dia e noite, por isso o sono e a necessidade de chamar papai e mamãe não respeita nem relógio nem calendário.

Após as primeiras semanas, o bebê espaça um pouco seu acordar, dormindo cerca de 4 a 5 horas de cada vez. Muitos começam a dar uma “esticadinha” à noite. E se o bebê está ganhando peso normalmente, não é preciso se preocupar. Caso contrário, é bom ficar atenta e, se necessário, acordá-lo para mamar. É importante contar com o acompanhamento e a orientação do pediatra se o bebê dormir muito e não estiver ganhando peso.

Com esses soninhos curtos, muitos preferem deixar o bebê no quarto. Ficando próximo da mãe e do pai é mais fácil atender às necessidades do bebê sem muita complicação. Já a prática de dividir a mesma cama com os pequenos ainda é bastante polêmica: existem defensores, que citam vantagens para pais e filhos e alegam que não há perigo, se feito corretamente. Já as associações de pediatria de muitos países desaconselham fortemente essa prática, apontando os riscos envolvidos para o bebê. Informe-se bem antes de tomar a decisão de deixar o bebê em sua própria cama.  De forma geral, a recomendação é de que o bebê durma no seu próprio espaço, em berço ou berço acoplado, e sem “acessórios” como travesseiros, almofadas, enfeites e bichinhos. O colchão deve ser firme e o bebê deve sempre ser deitado de costas.

Psssh, bebê dormindo!

A partir dos 3 meses, os bebês dormem por volta de 14 horas por dia e já conseguem seguir 8 ou 9 horas de sono à noite, com 1 ou 2 interrupções para mamar. Duas ou três sonecas de dia também são comuns. Tantos números podem deixar os pais preocupados: será que meu bebê segue as regras? Lembre-se sempre de que cada criança é uma e na dúvida, consulte seu pediatra.

Nessa fase, o sono é leve e chorinhos e barulhos feitos pelo bebê não precisam ser motivo de preocupação. Na maioria das vezes, os pequeninos acordam e voltam a dormir por conta própria. Por isso é tão importante não se apavorar e correr para retirar o bebê do berço. O importante é ficar atento caso o bebê chore continuamente, já que isso indicará que ele precisa de alguma coisa: alimentar-se, ter as fraldas trocadas ou ter sua temperatura ajustada, evitando o frio e o calor. Também pode indicar, é claro, dor ou desconforto.

No caso das trocas de fralda e da amamentação noturna, uma boa dica é fazer isso de forma bem suave, rápida e silenciosa. Assim o bebê não é estimulado e volta a dormir tranquilamente. Essa também é uma boa idade para começar a estabelecer rotinas que levem a um bom sono noturno. Pode ser um banho e canções de ninar, por exemplo. Feitos repetidamente, criam um estado propício para que o bebê consiga dormir por conta própria. E um bom sono vai ser aproveitado por todos: dos 6 meses até 1 ano de idade ainda podem acordar à noite para mamar, mas a maioria já consegue esperar até a manhã chegar!

Mundo, acordei!

De 1 ano até os 3, o entusiasmo dos pequenos com o mundo ao seu redor e a vontade de ficar perto dos pais todo o tempo, podem tornar mais difícil convencê-los a irem para a cama. Nessa fase, também costuma ser muito importante uma ou duas sonecas, totalizando até 3 horas por dia. Esses repousos deixam a criança mais descansada e tranquila. E mesmo aqueles que não querem dormir se beneficiam de um tempo durante o dia em que fiquem num ambiente de quietude.

Ao contrário do que pode parecer, não dormir de dia pode aumentar a dificuldade de dormir à noite. E nessas horas de recusa em ir para cama à noite, vale a dica da rotina e dos rituais. Nada complicado: coisas simples e curtas, mas que indiquem ao pequenino que está chegando a hora de dormir. Um banho gostoso, sem muito estímulo de brincadeiras; escovar os dentinhos; ouvir uma história ou uma música suave. Tudo contribui para mostrar que chegou a hora. Uma boa dica é deixar que as crianças tenham algum “controle” nesse momento: escolher o pijama, a história a ser lida ou levar um brinquedo para a cama, podem ser a chave para deixar o sono chegar.

Evite nessa idade programas de TV, eletrônicos antes do sono ou atividades que estimulem ou assustem. Os eletrônicos emitem uma luz que estimula o estado acordado. E elementos assustadores podem levar a sonhos e pesadelos, bastante comuns nessa idade. Como é uma fase em que fantasia e realidade se confundem, conforte e acalme sua criança após o pesadelo até que volte a dormir.

 

Grande demais para perder tempo dormindo

Dos 3 aos 6 anos, as crianças continuam precisando de 11 a 12 horas de sono por dia. E a turma de 7 a 12 anos deveria dormir por volta de 10 a 11 horas. Mas na prática, não é o que se vê hoje em dia. Sem a soneca de dia, com muitas atividades fora de casa, tarefas escolares e uma vida familiar que vai até tarde, muitas crianças estão ficando sem o sono reparador de que tanto necessitam para crescer com saúde, física e mental.

O déficit do sono pode causar danos em longo prazo, mas também atrapalha bastante no dia a dia. Hiperatividade, irritabilidade e desconcentração podem resultar de uma noite de sono curta demais. Por isso, é tão importante continuar com a rotina, para que o sono das crianças não fique prejudicado. Mais fácil falar do que fazer, mas é preciso tentar alternativas até acertar aquela que funcione com seu filho.

Uma boa regra geral é manter sempre o mesmo horário. Avisar à criança 30 minutos antes que está chegando a hora de ir para a cama. Dez minutos antes, torne a lembrá-la e comece a preparar as atividades relaxantes que vão fazer juntos para chamar o sono. Valem aqueles velhos “truques”: banho tranquilo, escovar os dentes, ler uma história, orações. Um brinquedo ou outro objeto de afeição podem ser usados.

Com um pouco de planejamento, paciência e firmeza, é possível tornar a hora de ir para a cama um momento gostoso. O esforço vai valer a pena ao ver sua criança crescendo feliz, saudável e pronta para enfrentar o dia, com disposição e alegria!

 

Estou tendo pesadelos!

Ninguém sabe ao certo porque eles acontecem, mas os pesadelos surgem quando ainda somos bem pequeninos. São eventos do estágio REM do sono, aquele em que o cérebro está mais ativo, processando experiências e informações.

Pesadelos costumam vir carregados de imagens e emoções, e por isso, são especialmente aflitivos para as crianças. Nos pequenos ainda existe grande confusão entre fantasia e a realidade. E mesmo a partir dos 7 anos, quando já entendem que sonharam, ainda ficam assustados.

É impossível prevenir. O melhor é evitar filmes e atividades assustadoras e tentar ter uma boa noite de sono. Quando o pesadelo acontecer, é preciso confortar e explicar que já acabou e que não está no mundo real. Nessas horas, vale a criatividade – e a paciência – de papais e mamães para mandar aquelas coisas ruins embora…

Tem que ser na cama da mamãe!

A cama compartilhada é um tema polêmico. Muitas pessoas acreditam que não há nada de errado em deixar que as crianças durmam com seus pais o tanto que quiserem. E que, com o tempo e a maturação, os pequenos irão migrar naturalmente para seus quartos. Por outro lado, muitos consideram essa prática ruim para as crianças e para o casal.

Nesses casos, não há ciência que comprove o que é para ser feito. Use seu instinto, bom senso e também suas próprias necessidades para orientar sua atitude quanto a essa questão. Caso considere que é necessário que cada um – filhos e casal – tenha seu próprio espaço, não hesite em delimitá-los, com firmeza, carinho e paciência.

Fiz xixi na cama

Muitos fatores estão envolvidos no famoso “xixi na cama”. E em muitos casos, a solução do problema acontece espontaneamente. A vergonha costuma ser maior do que qualquer outro desconforto e é aconselhável que não se dê mais drama ao evento do que realmente existe. Caso o problema seja constante ou persista por muito tempo, vale uma consulta para verificar se problemas mais graves ou doenças estão causando o descontrole. Tranquilidade e objetividade são as palavras-chave aqui.

Não consigo dormir! 

Infelizmente, a insônia pode acometer até nossos pequeninos. Por isso é bom ficar de olho. E caso perceba uma dificuldade constante da criança em pegar no sono ou se ela acorda muitas vezes durante a noite, um médico deverá ser consultado. Distúrbios respiratórios ou neurológicos podem atrapalhar o sono. Ronco, sonolência excessiva durante o dia ou sono agitado com muita movimentação corporal podem ser sintomas importantes. A criança se beneficiará de um exame mais completo.

 

 


A alimentação e o sono

 

Já é bem difundido que o sono é parte fundamental do crescimento e desenvolvimento do organismo dos pequenos, além de estar relacionado com a saúde emocional e o sistema imunológico. Mas você sabia que crianças que dormem pouco ou dormem mal, podem ter problemas com a alimentação? es atores, enfim… foi muito especial pra mim. Entrar na Rede Globo foi, também, fantástico. E tem também o Tamanho Família… apostei muito nesse programa. É um sucesso de público, de crítica. Recebo muitas mensagens de agradecimento e reconhecimento e é muito bacana.

Durante uma noite de sono, vários hormônios são produzidos e regulados, entre eles os hormônios relacionados a fome. Esses hormônios se chamam grelina e leptina, e são responsáveis pelos reflexos de fome e saciedade, ou seja, eles que nos avisam quando devemos começar a comer e quando devemos parar de comer. Quando não dormimos o suficiente, esses hormônios acabam ficando desregulados, levando ao aumento do apetite, especialmente de alimentos mais calóricos como doces, massas e biscoitos. Com o tempo, esse aumento da fome por alimentos calóricos acaba levando ao ganho de peso excessivo, podendo chegar a obesidade. Por esse motivo, é muito importante que as crianças tenham boas noites de sono e com qualidade.

Existem alimentos que podem auxiliar o sono por estimularem a produção de hormônios e outros que podem atrapalhar este momento, por deixarem os pequenos agitados.

Alguns alimentos possuem uma substância chamada triptofano, que é um aminoácido precursor da melatonina, hormônio que estimula e regula o sono. Exemplos desses alimentos são: leites e derivados, banana, aveia, grão de bico, frutas secas e oleaginosas. Uma boa ideia para refeição antes de dormir seria um mingau de aveia com banana, ou um “mix” de frutas secas e amêndoas ou castanhas. Além destes, chás como camomila e erva cidreira exercem efeito calmante nas crianças, auxiliando no relaxamento antes de dormir.

Já alguns tipos de alimentos devem ser evitados pelo menos 2 horas antes de dormir, como chás estimulantes (chá preto, chá verde), café, chás diuréticos (hibisco, cavalinha), alimentos com muito açúcar, como refrigerantes, bolachas recheadas, doces, pois dão muita energia e estimulam o corpo da criança, assim como refeições pesadas com muita gordura ou carne, pois podem causar indigestão.

É importante lembrar que os alimentos não possuem o poder de induzir o sono sozinhos, é preciso também que a criança tenha uma rotina antes de dormir, como por exemplo, tomar banho, escurecer o quarto, colocar uma música calma, para que o corpo entenda que aquele é o momento de relaxar e iniciar a produção de melatonina, facilitando o descanso e promovendo uma boa noite de sono, para que na manhã seguinte a criança esteja disposta para suas atividades, aproveitando o seu dia.

Mingau de Aveia com Banana

Ingredientes:

• ¼ de xícara de aveia em flocos.

 1/3   de xícara de leite de coco.

• 1 banana amassada.

Modo de fazer:

Coloque a aveia o leite e a banana em uma panela pequena e cozinhe em fogo baixo por cerca de 5 minutos, mexendo de vez em quando até engrossar. Deixe esfriar um pouco e sirva.