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Por: Auxiliadora Mesquita | Fotos: Cadeira Amarela  (Maike e Mari)

Você já deu o dom da vida. Agora chegou o momento de compartilhar com seu bebê força, saúde, desenvolvimento e muito amor: é hora de amamentar seu pequenino! E ele vai se beneficiar de maneira impressionante com o leite produzido pelo seu corpo, especialmente para ele.

Uma história bonita entre mãe e filho

Amamentar sempre foi um gesto natural e “automático”, por assim dizer. Até pouco tempo atrás, era a única opção. E nos  casos em que a mãe não podia amamentar, uma ama de leite era chamada com urgência para que o bebê crescesse e sobrevivesse.

Com a chegada das fórmulas prontas de leite, a indústria trouxe uma maneira prática e rápida (mas cara) de alimentar os recém-nascidos. “Dar o peito” foi virando coisa do passado – a mãe moderna só precisava misturar o pozinho da lata e a alimentação do bebê estava resolvida. Amamentar se tornou, pouco a pouco, coisa de gente desinformada, antiga e sem recursos.

Mas a história não era bem assim. O leite formulado para bebês pode ser usado nos casos necessários. Mas o leite da mãe continua sendo o produto mais perfeitamente fabricado para nutrir e desenvolver  o bebê. Essa informação criou uma nova geração de mães, dispostas não só a amamentar como também a lutar pelo direito de fazê-lo.

“Entre as coisas lindas da maternidade, amamentar sempre foi o meu maior desejo de grávida. Sempre dizia: eu vou fazer o que posso para tornar esse desejo real. Embora sabendo, através de outras mamães, que muitas vezes não é tão fácil e simples quanto parece. Quando chegou a minha vez, notei que a produção de leite estava grande, porém, a amamentação veio com dores, calafrios, machucados e a dificuldade do Otávio da pega correta. Mas graças a Deus, depois que a gente vira mãe, aparece um monte de mães e pessoas que querem te ajudar no que for preciso.

E assim foi minha experiência, com a consultora de amamentação, a Dani, que com todo carinho do mundo e disponibilidade, me auxiliou e tirou algumas dúvidas que eu tinha em relação à amamentação. Depois disso, a “hora do mamá” melhorou muito, e aquelas preocupações que toda mãe de primeira viagem tem, foram embora… Além da Dani, minha consultora, eu também tenho minhas amigas mamães que compartilham comigo as experiências e me deixam muito tranquila. E assim vamos seguindo um dia de cada vez com muito amor”.

Livi Simiano

Saúde pronta para beber

O leite materno contém nutrientes e anticorpos. Isso significa que o bebê fica alimentado e também imunizado. Estudos mostram que a amamentação reduz riscos de gastroenterites, doenças do sistema respiratório e urinário e até protege contra as temíveis otites. Doenças como asma e diabetes também ganham um “chega-pra-lá” com o leite materno. Mas além disso, ficar no colinho da mãe, dividindo esse momento único, traz ainda mais bem estar para os pequeninos. O carinho e o aconchego são primordiais para os seres humanos e são levados para toda a vida. Para a mãe, esse também pode ser um momento único: de convivência e descoberta, de silêncio e “conversa” ao pé do ouvido. E acredite: amamentar protege a mãe de doenças também!

No mundo real

Muitas vezes não é possível amamentar: problemas médicos, profissionais ou pessoais podem interferir nesse processo. É sempre bom lembrar que é uma escolha da mãe. E é possível ser uma mãe amorosa e dedicada sem amamentar. Apenas lembre-se de que para escolher é preciso se informar. Por isso, procure saber tudo o que for preciso sobre o assunto e discuta suas dúvidas e temores com seu obstetra, pediatra e com uma consultora especializada em amamentação. O melhor caminho, só você , mamãe, pode decidir.

Comece  essa jornada aprendendo mais sobre a amamentação com a excelente entrevista que fizemos com a  Fonoaudióloga e Consultora de Amamentação Juliana Raupp. Especializada no assunto, ela  já ajudou muitas mamães a amamentar.


O mitos são muitos e perigosos, porque na maioria dos casos são ditos e repetidos em um momento de fragilidade daquela mulher que está com o bebê nos braços, cheia de dúvidas, ansiosa por acertar nos cuidados com a criança e, em alguns casos, com dificuldade de alimentar seu filho. Ouvir, nessas horas, que “seu leite é fraco” ou “você não tem leite suficiente”, “dá logo uma mamadeira”, pode ser devastador para uma mãe e pode, sim, ser decisivo para o fim de uma história de amamentação. O que é verdade e precisa ser disseminado nas famílias, também entre cuidadores, pais e avós: não existe leite fraco. Ponto. Mamadeira e chupeta podem, sim, provocar um desmame precoce. Não é preciso dar água para matar a sede do bebê.  O leite materno tem tudo o que uma criança precisa até os seis meses de idade.

É como se fosse uma fórmula mágica?

Eu diria que é exatamente uma fórmula mágica. O leite materno é uma substância viva, constituída por água, gorduras, vitaminas, sais minerais, componentes anti-inflamatórios e muitos outros que ainda estão sendo estudados. Essa composição muda, por exemplo, de acordo com a saúde do bebê. Se ele estiver doentinho, o leite vem turbinado com anticorpos e com substâncias que fortalecem seu sistema imunológico. Previne otites e pneumonia. Sem contar os inúmeros benefícios que já foram constatados cientificamente. O aleitamento reduz os riscos de mortalidade infantil e previne, na vida adulta, obesidade e diabetes. As vantagens se estendem às mães: quem amamenta tem menos risco de ter hemorragia pós-parto, de desenvolver câncer de mama e de ovário e de sofrer com depressão.

Os benefícios são incontestáveis. Mas para muitas mães não é fácil amamentar. Por quê?

Há um provérbio conhecido que diz o seguinte: “é preciso uma aldeia inteira para cuidar de uma criança”. Isso se aplica também à amamentação. As mães não devem amamentar sozinhas. Elas precisam de apoio, sempre, mas principalmente nos primeiros meses, até que a amamentação se torne, de fato, algo natural. Alimentar a cria demanda uma energia enorme. Essa mulher precisa comer bem e descansar. É muito importante que alguém se disponha a cuidar das tarefas domésticas, que fique com a criança para a mãe dormir. Gestos singelos, como levá-la um copo de água, durante ou depois da mamada, já fazem diferença. Além de afago, carinho, escuta, empatia. A dificuldade muitas vezes está na falta de apoio e na falta de informação da própria mãe e das pessoas que a cercam. Por isso, nos atendimentos, não costumo falar apenas com a mãe e avaliar o bebê, tento envolver toda família.

Quais são as principais queixas das mães quando elas buscam sua consultoria de amamentação?

Dor é uma das queixas mais frequentes, embora os motivos sejam distintos. Amamentar não deve doer. Se isso estiver acontecendo, há alguma coisa errada. Para fazer a sucção corretamente e extrair o leite com eficiência, o bebê deve abocanhar a aréola e não apenas o mamilo. A mastite, que é um processo inflamatório, e a candidíase, que é uma infecção por fungo, também são relativamente comuns, provocam desconforto, e podem ser tratadas. Outra questão que preocupa os pais, principalmente nas primeiras semanas, é o choro do bebê. Recém-nascidos choram. É a forma que eles têm de se comunicar.  Aos poucos, a família que nasce junto com o bebê vai se conhecendo e aprendendo a interpretar essa comunicação.

O peso do bebê nas primeiras semanas de vida?

Não dá para fazer um diagnóstico considerando apenas os números da balança, sem perceber como a mãe e o bebê estão se sentindo.  É natural que nos primeiros dias de vida o recém-nascido perca peso.  E não é necessário oferecer complemento ao menor sinal de que o bebê não está engordando como deveria. Essa é uma decisão muitas vezes precipitada e até equivocada. Com ajuste da pega, da mamada, já é possível, em alguns casos, reverter a perda de peso. Se essa situação persistir e a mãe estiver se sentindo insegura, aconselho que ela busque ajuda profissional. Como fonoaudióloga, tenho atendido casos em que o problema com o ganho de peso ou dores na hora da amamentação estão ligados a alterações orais do bebê, entre elas está o que se chama popularmente de “freio curto” – a pega aparentemente está correta, mas o bebê não consegue fazer o movimento correto com a língua. Isso pode ser corrigido com exercícios passados por uma fonoaudióloga especialista em neopediatria ou aleitamento materno ou por meio de um procedimento cirúrgico simples feito por dentistas e médicos que atuam nesta área.

Há posições mais indicadas para amamentar? 

Existem muitas possibilidades e a mais indicada é a que for mais confortável para a mãe o bebê. Nas primeiras semanas, enquanto os dois estão se adaptando às mamadas, algumas dicas de postura e de como posicionar o bebê ajudam a tornar o processo mais efetivo e menos cansativo para a mãe. Mas com o tempo, mãe e filho vão descobrindo as melhores posições. Muita gente me pergunta se amamentar deitada pode provocar otite no bebê. A natureza é tão perfeita que a musculatura que o bebê movimenta ao mamar no peito impede a passagem do líquido para o ouvido, sem contar que o leite materno tem características imunológicas que reduzem o risco de infecção nas vias aéreas.  Se a criança não tem nenhuma alteração anatômica, nem refluxo, pode mamar deitada sem problema. O risco de otite existe quando a criança toma mamadeira nessa posição. A musculatura movimentada nesse caso é diferente e não impede a passagem do líquido para o ouvido.

Até quando se deve amamentar?

A Organização Mundial de Saúde orienta amamentação exclusiva até os seis meses de vida e complementar pelo menos até os dois anos. Existe uma pressão da sociedade para que o desmame ocorra após os seis meses, mas não é o ideal, a não ser que seja uma decisão consciente da mulher. Ela tem esse direito, como também deve ser apoiada se decidir prolongar a amamentação.

Com que frequência o recém-nascido deve mamar? Você indica estabelecer horários para as mamadas?

No caso de bebês saudáveis, que estão ganhando peso, o mais indicado é adotar a amamentação em livre demanda, ou seja: amamentar sempre que o bebê pedir, sem ficar marcando a hora no relógio e contando o tempo da mamada. Já ouvi relatos de mães que começaram a amamentar de três em três horas, por exemplo, e quando partiram para a livre demanda definiram a experiência como libertadora. É também, o indicado pelo Ministério da Saúde. Entre os benefícios para a criança, está o fato de ser uma forma de autorregulação. Ela vai aprender a se saciar e, aos poucos, vai entender sozinha o momento de parar.  A livre demanda também é importante para regular a produção de leite, já que quanto mais o bebê mama, mais leite a mãe produz. Como tudo na vida, há exceções. Um bebê que não esteja ganhando peso talvez precise ser estimulado até aprender a pedir.    

O que você falaria para mães de primeira viagem sobre amamentação? 

Eu diria: prepare-se para se conectar de forma profunda com o seu bebê e com você mesma. É uma viagem incrível e cheia de descobertas. Para algumas mães, também é cheia de desafios. A amamentação não é apenas sobre prover alimentação para outro ser humano. É uma nutrição emocional. O bebê vai querer seu cheiro, seu colo, seu leite mesmo quando não estiver com fome. Mamando, ele se sente seguro, acolhido, protegido. Não há muito o que se possa fazer durante a gestação para se preparar para esse momento. Não se deve usar conchas para “formar o bico”, nem esfregar os mamilos com buchas  – nada disso tem comprovação científica e pode até prejudicar. É preciso apenas se informar.

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